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Juntar o que o Homem separa

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Sábado de manhā, sozinha com os dois miúdos já que o marido trabalha, decidi apanhar os transportes públicos até a um grande parque nas proximidades. Como tenho o hábito de viajar de tramway com o carrinho de bébé deixei-me ficar numa zona larga do corredor, perto da porta e de uns bancos prioritários que lá estão. Uma Senhora já com bastante idade estava sentada num desses bancos. Ao lado dela uma outra Senhora bem mais jovem e aparentemente válida e bem posta, com os olhos postos no telemóvel. As duas senhoras não estavam juntas. A idosa, num ato de generosidade, oferece-me o seu lugar. Naturalmente recusei, sorri e agradeci. Nisto a outra passageira levanta nesse momento os olhos do ecrã e responde à velhota, com o ar mais condescendante do mundo:" A Senhora (neste caso eu...) que se vá sentar noutro sitio há bastantes lugares livres para ela." A velhota ainda se tentou defender: que com o carrinho aqueles bancos são os mais espaçosos, que não corria riscos porque estava s...

Amigas com depressão

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Nos últimos três meses três amigas ficaram de baixa ou sob antidepressivos. Entre burn-out, ansiedade e stress ligado ao trabalho as razões são variadas.  A questão que me ponho é sempre a mesma: o que fazer para ajudar, sobretudo à distância? A melhor resposta que me passa pela cabeça é ouvir o que tem a dizer, sem tentar dar conselhos que não servem para nada, apenas ouvir. E fazer rir já que rir talvez não seja o melhor remédio mas é seguramente um pequeno principio.  Esperemos que esta onda depressiva melhore com os bons dias que ai estão a chegar.  Um grande beijinho e até ao próximo post. 

Plantas e Memórias

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A um mês de comemorar o meu 38o aniversário descobro em mim um interesse crescente por flores e plantas. Depois de anos a fio a me ocupar mal e a desistir porque "não tenho jeito nenhum para isto" decidi que estava na altura de parar, aprender, observar e ler sobre o assunto. E ofereci-me duas pequenas plantinhas que juntei ao antúrio e a uma outra planta que, apesar de não serem tratados como deviam, resistem.  É um exercicio que pretendo levar a sério já que, tal como as pessoas que amamos, precisam de ser tratadas com carinho mas sem excessos (diz a especialista do água a mais), crescer ao seu ritmo e não querer ter plantas demais (não se ocupando de nenhuma como deve ser).  Uma outra reflexāo que me veio a propósito das plantas é o facto de nem sempre aprendermos quando deviamos. A minha avó paterna (que recordo com especial saudade mal a Primavera se aproxima) tinha flores magnificas, o tempo todo. Parecia magia, parecia que não havia nem esforço nem erro. E portanto hav...

Estará o meu coração a ficar contaminado?

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 Mais uma reunião de equipa e mais uma quantidade absurda de veneno destilado. Aos poucos, apesar do silêncio que guardo, também me começo a sentir a ferver por dentro.  A vontade de responder à maldade com maldade é quase irresistivel. E o azedume começa a tomar possessão do meu corpo, das minhas ações e das minhas palavras E depois chega o stress, a falta de paciencia e de énergia, as dores de estomago e as insonias. E cada vez mais me ponho a questão: estará o meu coração a ficar contaminado com a falta de compreensão, de empatia e das guerras criadas pelos outros? E se sim será que isso é uma fatalidade e terá de ser necessáriamente assim ou, pelo contrário, poderei (com muito esforço e resiliência) passar pelas gotas da chuva e acreditar que é possivel fazer diferente?  No fundo de mim acredito que podemos escolher a doçura, a paciência e a bondade. Que podemos mudar a energia à nossa volta, não de uma forma espetacular porque a guerra faz mais barulho e brilha mais ...

A curiosa reação ao livro

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Não gosto de ter "pilhas de livros" à espera de serem lidas e, em parte por causa de os ver acumular mas sobretudo pela frustação de não ler tanto quanto podia, comecei a levá-los para o trabalho e a ler enquanto almoço.  E lá estou eu no meu cantinho, um garfo numa mão e livro na outra. Ontem apercebi-me, graças a um jovem estagiário, que as pessoas tem um respeito enorme por quem lê um livro. E não fazem barulho de propósito para não incomodar.  E dei-me conta também de que desde que comecei a levar os livros para o trabalho não só o numéro de livros à espera de serem lidos baixou consideravelmente mas também as interrupções de refeição do estilo: "sei que estás a comer mas podes fazer isto ou aquilo" reduziram drásticamente. E os estagiários, esses, até pedem desculpa por pôr o microondas a funcionar.  Moral da história: se querem realmente estar em paz na vossa hora de almoço larguem os telemovéis e leiam livros.  Um grande beijinho e até ao próximo post. 

Este Janeiro 2026...

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Um Ano Novo que começou díficil com o desaparecimento da minha tia, aquela tia que se preocupava e que sempre arranjou tempo para ligar, para perguntar e sobretudo para ouvir (e são tão raros os que ouvem...).  Depois problemas no trabalho e muito mau ambiente com os colegas...  E para acabar o mês dois miúdos que não querem dormir nem por nada e noítes Mais do que complicadas.  Só posso pedir que Fevereiro seja um bocadinho mais clemente! 

Recomeçar

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Há mais de dez anos que escrevo blogs... não seria o fim dos Blogs do Sapo, provavelmente vencidos pelo número decrescente de pessoas que procuram textos e ideias em formato longo, que iria mudar isso.  E, mesmo se esse fim anunciado me deixa triste, aqui estou eu, com este "Crónicas e Ideias", que é uma espécie de herdeiro do meu querido "Crónicas da Cidade dos Leões" Casa nova exige apresentações e aqui vai a minha:  Chamo-me Diana (apesar de ter ficado conhecida nos blogues do Sapo por Nala), tenho 37 anos (quase, quase a passar à velocidade seguinte) e vivo em França.  Tenho a sorte incrível de ter um marido maravilhoso que me acompanha em todos estes desvaneios (alguma vez vos disse que "Crónicas da Cidade dos Leões" foi uma sugestão dele?) e sou a orgulhosa mãe de dois pequenos principes, o R. com 4 anos e o A. com 1.  Ganho a minha vida como fisioterapeuta e tento tanto quanto possível manter a cordialidade, a alegria e o amor à minha volta (engolin...